Não aceitamos devoluções

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Por Arno Duarte

Você não devolve um pai, ou uma mãe, mesmo que não goste do jeito que eles te educam, ou que não aguente o mau (ou bom) humor deles pela manhã, ou não suporte o stress que sempre descontam em ti ao chegarem em casa cansados do trabalho.

Você não devolve um irmão, mesmo que ele seja chato, que pegue seus brinquedos sem pedir ou que use tuas roupas mais legais e devolva sem lavar.

A gente aprende com essas situações. Aprende a ser mais tolerante, aprende a conversar, aprende a ouvir, aprende a se posicionar, aprende a dar um tempo, aprende a fazer as pazes, e na soma disso tudo, ao caminhar de uma vida inteira, a gente aprende a amar o outro do jeito que ele é.

Família é família, não tem boa nem ruim, não tem ninguém certo nem ninguém errado, somos apenas família. Somos tão e somente pessoas que foram colocadas juntas neste mundo, conectadas por algo maior, destinadas a aprender umas com as outras.

Quando se adota um filho, pequeno ou grande, bebê ou adolescente, os aprendizados de vida são semelhantes, afinal, ele fará parte da família, e as mesmas transformações se aplicam a este novo integrante. Por mais que ele não tenha o mesmo tipo sanguíneo ou DNA, começará a partilhar do convívio de pessoas que serão o seu porto seguro e referência daquele momento em diante.

Adotar é dar à luz também.

Não se devolve um filho porque ele riscou a parede, porque ele fez birra no supermercado ou porque ele chora demais durante a madrugada.

Quem adota é pai e mãe pra vida toda, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza. Quem adota tem a oportunidade de descobrir com seu filho quais são os aprendizados que precisa pra sua própria vida.

Provavelmente o que não sabemos como lidar é justamente o que precisamos desenvolver para nos tornarmos seres humanos melhores.

Assim como pais biológicos aprendem a entender o que um choro quer dizer, aprendem a ensinar os filhos, aprendem a ter paciência, aprendem a serem pais, o mesmo acontece quando nasce um filho adotivo. A gente aprende a ser pai e mãe de um jeito especial, diferente, mas profundo, conectado pela alma.

Como pai adotivo eu não sei dizer o que funciona e o que não funciona pra criar um filho. Meus pais provavelmente não sabiam também, mesmo eu sendo da barriga deles.

Não tem manual pra filho biológico, nem pra filho adotivo, afinal, todos os filhos são complexos, todos somos filhos complexos. O maior aprendizado pra quem gera uma vida é saber deixar o amor fluir.

ARNO DUARTE, além de papai adotivo, é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano e mobilizador do movimento Geração Mais Amor. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.

Máquina do tempo

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Por Arno Duarte

Sempre fui fã de histórias de viagens no tempo. Queria poder voltar ao passado e mudar algumas coisas. Hoje me dou conta que todas as escolhas que fiz, certas ou nem tão certas assim, seguras ou nem tão seguras assim, são justamente o que me fazem ser quem sou no presente.

Ver meu filho impressionado e apaixonado por histórias de viagens no tempo, faz eu perceber que a vida é um loop, e que cada segundo, cada palavra, cada gesto, pode transformar o futuro de uma criança.

A máquina do tempo mais incrível que existe somos nós mesmos: pais e mães tem o poder e a responsabilidade de aprender com o passado para mudar o futuro, cultivando memórias de amor consigo, com os outros e com o mundo.

ARNO DUARTE, além de papai presente, é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano e empreendedor de negócios sociais. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.

Limites dos limites

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Por Arno Duarte

O último ano foi meu primeiro ano como pai. Tempo em que aprendi, entre outras coisas, que um dos papeis de ser pai é definir limites. E como tem sido duro esse aprendizado…

No início eu quis ser o pai tipo CNV, descolado, moderno, queria fazer diferente, dar liberdade, deixar o guri perceber o que fez, conversar bastante quando algo não ia bem, refletir juntos sobre como deveriam ser as coisas, ouvir a versão dele. Só que a experiência, sempre ela, mostrou que a realidade é bem diferente da teoria.

Eu conversei bastante sim, mas também tive que dizer mais nãos do que eu gostaria, tive que mandar, tive que levantar a voz, tive que ser firme, tive que bater o pé, tive que colocar de castigo, tive que repreender uma, duas, três, várias vezes, olhei com cara de pai brabo (aquela que certamente deixa traumas psicológicos), fiz muita coisa que na expectativa de pai legal eu queria evitar.

Por vezes chorei, achando que eu era um pai pé no saco, que só dizia não pode, não dá, agora não, devagar, espera um pouco, já deu, vamos, acabou, desliga, mastiga de boca fechada, arruma o quarto, não corre, não vai no fundo, volta rápido, limpa isso, hora de dormir, e por aí vai.

Será que esses limites devem ter limites?

A questão é que, como pais, precisamos trabalhar nossa culpa por dar limites. Em verdade nem culpados deveríamos nos sentir, mas já que o sentimento está aí, vamos cuidar dele.

Percebi que por trás daquela vontade de ser o pai legal, também estava o desejo de que meu filho gostasse de mim. Eu queria ser o pai bonzinho, e a cada não que dizia, me frustrava mais um pouco.

Pais foram feitos para serem chatos que de vez em quando são legais.

O limite dos nossos limites está em perceber se nos intervalos entre os “nãos” estamos tendo tempo para pausas com abraço, beijos e brincadeiras.

Uma coisa é certa: nossos filhos não vão gostar da gente por causa dos limites. Vão gostar pelas coisas boas que fizermos juntos, pelo carinho, pelo jogo de taco, pela comemoração de um gol, pela primeira onda que ele surfar, pela emoção de andar de montanha russa, por aquele passeio de bici no parque.

A boa notícia é que momentos de amor não tem limites.

ARNO DUARTE, além de papai adotivo, é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano e mobilizador do movimento Geração Mais Amor. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.

Sobre adotar: carta ao Papai Pop

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Por Arno Duarte

Marcos Piangers, nem todo o pai adotivo adota porque sofreu por não engravidar. Nem todo pai adotivo adota por ser um plano B para ter um filho. Nem todo pai que adota, ama porque foi sofrido ou difícil demais. Nem todos adotam porque a inseminação não coube no orçamento.

Pela lógica apresentada, você nunca adotaria (ou precisaria adotar) uma criança, pois já adotou os teus filhos biológicos. A coisa não é tão prática assim.

Também adotamos porque sentimos um chamado do universo, da natureza. Ouvimos um eco no coração e temos certeza de que o fruto do nosso amor está em algum abrigo por aí pensando na gente, sonhando em como será lindo o dia em que nos reencontraremos. Meu filho só nasceu na casa errada e precisei correr para encontrá-lo.

Eu não rezei por um milagre. Eu fui atrás.

Como pai que eu queria ser, tive que gerar meu filho entre certidões de bons antecedentes, comprovantes de residência, contracheques, entrevistas com assistentes sociais, provar que eu sou uma boa pessoa, e esperar bastante, uma gestação que durou muito mais do que nove meses.

Adotar pode ser apenas e simplesmente a escolha de alguns. Não é só a consequência de uma frustração biológica, mas sim o resultado da evolução do amor.

Mas eu sofro sim. Sofro por saber que existem tantas crianças e adolescentes talentosos e com futuros brilhantes por aí, aguardando pais que os vejam como primeira opção! Pais que queiram adotar também os maiores de três anos, os pretos, os deficientes, os que tem alguma doença, os indígenas. Pais que queiram sentir verdadeiramente o amor.

Adotar é trabalhoso e emocionante. Meu sonho para um melhor mundo é que mais pessoas se contagiem no espírito da adoção, casais com filhos, solteiros, casais sem filhos, jovens, idosos, pessoas que enxergam o futuro.

Adoção não é remendo. Adotar é para todos. Nossa obra prima é o amor.

(Resposta ao texto de Marcos Piangers, publicado em 21 de junho de 2016)

ARNO DUARTE, além de papai adotivo, é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano e mobilizador do movimento Geração Mais Amor. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.

Amores imperfeitos

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Por Arno Duarte

Éramos dois. Ela, uma mulher gata, madura, segura de si, teimosa, mas carinhosa. Eu, um cara normal, bonito talvez, inseguro, cheio de manias, mas com boas intenções. Um amor imperfeito.

E mesmo não sendo perfeito, escolhemos ser pai e mãe do Cadu, pois pais e mães foram feitos para errar, para serem ultrapassados, para ficarem com vergonha deles na entrada da escola.

Não contentes, queremos mudar a ordem natural das coisas, fazer tudo correto, ter a resposta certa, atender no prazo, superar as expectativas, correr contra o relógio, ser o melhor pai e mãe do mundo e ainda continuar os mesmos namorados de antigamente. Mas nada será como antes.

Quando já não somos só dois a vida de amantes precisa ser reaprendida: os dias, as noites, as madrugadas, o trabalho, as folgas, as férias. Tem sempre um ponto de interrogação na frase. Às vezes umas três exclamações.

Deixamos de viver só pelo amor romântico. O pequeno sonho de nove anos que uniu nossos sorrisos e lágrimas, também tornou nosso amor mais paciente, maduro, sereno, sincero, responsável e brincalhão.

Nosso amor imperfeito evoluiu. Passamos a viver alegrias, saudades, surpresas, questionamentos, reflexões e transformações, agora aceitando nossos defeitos e limites.

Somos e sempre seremos nós mesmos.
Apaixonadamente imperfeitos.

ARNO DUARTE, além de papai adotivo, é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano e mobilizador do movimento Geração Mais Amor. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.

Ser pai em cinco sentidos

 
Por Arno Duarte

Pais não foram feitos para ficar tanto tempo longe dos filhos. Um dia, dois dias no máximo, é aceitável. Achamos que a tecnologia ajuda a encurtar as distâncias, mas uma mensagem de áudio no whatsapp ou alguns minutos de conversa no facetime nunca vão substituir o gostinho de um abraço. 

Esperei quase nove anos para conhecer meu filho, e agora, parece que minhas necessidades básicas mudaram, e meus sentidos estão mais conectados com coisas que antes eu nem sabia que existiam.

Preciso sentir o cheirinho dele de manhã antes de ir pra escola. Preciso ouvir suas histórias mágicas pra viajar junto com ele para mundos de fantasia. Preciso vê-lo faceiro aprendendo a andar de bicicleta e descobrindo a delícia que é o vento batendo em seu rosto. Preciso afofar seus bracinhos pra me dar conta do quanto ele é frágil e sensível. Preciso olhar em seus olhos pra enxergar o brilho do futuro e as infinitas possibilidades que borbulham em sua alma. 

Também preciso beijá-lo bastante, mesmo sabendo que nem todos os beijos do mundo dão conta de dizer o quanto eu amo esse pequeno ser que transformou todos os meus dias em uma contagem regressiva pra abraça-lo mais uma vez.

ARNO DUARTE, além de papai adotivo, é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano e mobilizador do movimento Geração Mais Amor. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.

A escolha de mudar não mudando

borboletaPor Arno Duarte

Aos olhos de um homem, ter um filho pode implicar em mudanças radicais na vida, perda de liberdade, rotina, prioridades diferentes a partir de então. Por muito tempo tive o pensamento de que quando um filho chegasse, as coisas não seriam mais as mesmas, com um certo tom pejorativo até, indicando que eu teria que aturar mudanças indesejadas.

Quando este dia chegou, respirei fundo e olhei para todas as possibilidades que se abriam. A vida não seria mais a mesma sim, mas poderia ser como eu gostaria de vivê-la.

Ser pai é uma escolha e, como qualquer escolha que se preze, representa um salto para o novo, navegar por mares desconhecidos, espaços por vezes inseguros e de transformação.

E assim como a borboleta, precisei mudar, não mudando.

Sou o mesmo cara que tinha medo de perder a liberdade, da rotina, de ter prioridades diferentes, porém, como responsável pela minha escolha, assumo o papel de pai, garantindo minha liberdade, driblando a rotina e priorizando o que é importante para a minha vida.

E minha vida agora não é só minha, tenho mais vida na minha vida, e todo esse movimento me dá força para manter minha essência em um modelo mais maduro de mim mesmo, respeitando meu passado e dando boas vindas ao futuro que minha pequena escolha de 9 anos me inspira construir.

Agora é só curtir o caminho de pai, amigo, herói, parceiro, certo de que novas e muitas transformações ainda virão.

ARNO DUARTE, além de papai adotivo, é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano e mobilizador do movimento Geração Mais Amor. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.

Sobre viver

The Kid-16-credit-0-2000-0-1125-cropA chegada de um filho, ainda mais um que chega do dia para a noite, provoca reflexões profundas a respeito de escolhas do passado e para o futuro. Minha vida não é mais só minha e o conceito de sobreviver pode ter um sentido bem mais amplo do que o conhecido.

Por Arno Duarte

Sempre fui um cara muito preocupado com dinheiro. Desde que comecei a trabalhar, nunca passei por aperto financeiro, mas também, meu foco era exclusivamente o trabalho. Eu tinha pânico de passar por alguma necessidade, principalmente, de não ter onde morar.

Para não chegar a esse ponto, eu trabalhei muito e acabei por esquecer de viver. O lado bom é que guardei dinheiro, e com 22 ou 23 anos eu já tinha comprado um apartamento. Depois vendi e construí uma casa, depois vendi e comprei outro apartamento. Essa sempre foi a minha necessidade mais básica, que garantiu a sobrevivência do meu inconsciente.

Nos últimos anos relaxei mais com essa coisa toda de dinheiro e diminuí o peso que o trabalho tem na minha vida. Não parei de trabalhar, claro, apenas procuro aproveitar mais os dias, ao mesmo tempo em que desenvolvo atividades que me proporcionam certo conforto e sustento financeiro.

Há 30 dias me tornei papai adotivo. Ao me deparar com a situação de ter uma criança de oito anos em casa, e com a grata função de alimentar, vestir, educar, brincar e cuidar, a busca por saciar as necessidades básicas e o instinto de sobrevivência voltaram a gritar dentro de mim.

Até então, eu era dono apenas do meu nariz, cuidava das minhas continhas, fazia o que eu queria na hora em que eu queria. Tinha uma certa comodidade construída ao longo do último ano, depois que me tornei um profissional autônomo.

Sigo sendo dono do meu nariz, mas, e o outro narizinho adorável que me olha com olhar de admiração a todo instante?

Hoje me pergunto se minhas escolhas foram as melhores, se preciso rever algumas delas, que alternativas tenho para prover tudo o que meu filho precisa sem deixar de ser quem eu sou. Já me passou pela cabeça voltar para um emprego formal, ter a estabilidade da carteira assinada, o plano de saúde, seguro de vida, previdência social e o dentista pagos pela empresa. Até o auxílio funeral estaria garantido.

Nesse vai e vem de sentimentos sobre necessidades básicas, me dou conta de que não sou apenas responsável pela sobrevivência do pequeno Cadu. Meu papel vai além disso. Preciso também passar valores e ser uma referência para ele. Afinal, eu sou o cara que diz que o sentido da vida é amar. Amar quem sou, o que faço, com quem me relaciono e o que quero ser.

De que adiantaria ser “bem-sucedido”, ter garantias e estabilidade, e também ser infeliz, triste, preso em um salário. Que aventuras coloco em minha vida que podem inspirar meu filho a querer ser o seu melhor, voar livre pelo mundo, sendo também o dono do seu próprio nariz.

Outro dia ele me disse: “é bom ser teu próprio chefe, né pai”? Na hora eu pensei, sim, eu defino minhas metas, eu trabalho para atingi-las, eu recebo pelo sucesso ou fracasso dos meus projetos. Mas o melhor de ser chefe de si mesmo é poder viver a vida que eu quero, ser o pai que preciso ser sem deixar de ser o homem que quero ser.

Impossível garantir que este é o ponto final desta história, que nunca vou mudar de ideia, que dessa água não mais beberei. Só sinto que esse é o caminho que eu quero seguir agora, e cada um com o seu caminho, tudo bem se o seu é outro. O meu caminho é o de aproveitar o momento para ser mais eu, ser mais pai, ser mais amigo, ser mais parceiro.

Quero falar mais sobre viver do que sobreviver.

tumblr_mewz5ffgIl1qkdy8to1_1280ARNO DUARTE, além de papai adotivo, é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano e mobilizador do movimento Geração Mais Amor. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.

 

Apadrinhamento afetivo

apadrinhamentofantasticoO programa de apadrinhamento afetivo é uma forma de fazer a diferença na vida de crianças ou jovens com possibilidades remotas ou inexistentes de adoção, que vivem abrigos ou casas lares. Mais do que dar brinquedos ou recurso financeiro, você exercita o amor.

O Fantástico mostrou no domingo passado, dia 20, uma reportagem sobre os resultados do programa no Rio de Janeiro. Eu conheci o apadrinhamento afetivo em novembro do ano passado, aqui em Porto Alegre. Cheguei lá acreditando que eu iria ajudar uma criança, mas um ano depois eu vejo o quanto meu coração cresceu e minha visão sobre a vida também.

Entre em contato com instituições que oferecem programas de apadrinhamento na sua cidade e informe-se. Doar brinquedos e roupas pode ajudar, mas o que realmente transforma a vida de alguém é o poder do afeto. O amor é a força que move o mundo.

Confere a reportagem completa no link abaixo:
http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/12/juiz-cria-programa-para-levar-afeto-criancas-que-estao-na-fila-para-adocao.html

Expedido termo de guarda

o-FATHER-SON24-facebookUm momento intenso, primeiro passo para eu ser adotado como papai por uma criança de oito anos. E como um início tão vibrante pode ser representado por uma frase tão fria? 

Por Arno Duarte

Uma segunda-feira normal de dezembro, como tantas, vida que segue, trabalho, reuniões, e um telefonema: “olha teu e-mail agora, o status mudou”! Era a Taís, minha eterna namorada, sobre o processo de pedido de guarda do Cadu, um menino que apadrinhamos há um ano. Não foi de uma hora para a outra, mas é inesperado de qualquer jeito. Talvez não exista o momento perfeito para avisarem: “expedido termo de guarda”. Só é expedido! Frio assim, um suave chacoalhar na realidade.

O que eu sinto é calor humano, sensação de que o coração não cabe dentro do peito. Borboletas voam pelo estômago, um descompasso da língua embaralha as palavras, os pensamentos viajam para o passado e futuro e é inevitável o congelamento das bochechas em um sorriso que não se desfaz nem para dormir.

A partir daí a vontade de contar para todo mundo fica presa no receio de que tudo aquilo de bom que está acontecendo seja um sonho que pode ser desperto. Mas o medo evapora na alegria de ver os amigos celebrarem junto, de ouvir teus sobrinhos felizes comemorarem com gritinhos a chegada do novo primo, dos avós bestas planejando como será quando forem chamados de avós.

Emoções se misturam com a expectativa de saber quando o menino vai receber a notícia, se vai gostar, se vai chorar, se vai querer me ver com urgência ou se vai precisar de um tempo para absorver a ideia. Medos infundados, talvez cagaço em função da responsabilidade que chega, por uma vida a mais na minha vida, por um amor maior para amar sem limites.

Será que dou conta? Claro que sim, já nasci pronto para isso. A verdade é que eu sempre soube que estava pronto para ser pai de um filho de coração.

A vida vai mudar. Já mudou quando conheci o ruivinho de olhos verdes, tão especial que já é a minha cara. E a vida vai mudar ainda mais quando eu conseguir soltar todo o choro de felicidade dentro de mim, quando eu ouvir um singelo “pai” ou quando eu conseguir dizer “filho” sem me preocupar se posso ou devo me referir a ele assim.

Foi expedido o termo de amor. Aliás, acho que este deveria ser o nome do documento. Mas dane-se as formalidades, o amor está nos detalhes, nas entrelinhas, nas letras miúdas, invisíveis a olho nu. Pai é quem ama, e eu estou amando esta nova porta para a vida, uma oportunidade de ser inspirado a ser o meu melhor pelo carinha que eu deveria inspirar.

Um novo ciclo se inicia, transformações, descobertas, parceria, amizade. E nem se passaram 24 horas daquela segunda-feira tão normal de dezembro. Imagina o que mais me espera como papai adotivo tendo uma vida inteira pela frente para celebrar.

ARNO DUARTE, além de papai adotivo, é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano e mobilizador do movimento Geração Mais Amor. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.