Amores imperfeitos

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Por Arno Duarte

Éramos dois. Ela, uma mulher gata, madura, segura de si, teimosa, mas carinhosa. Eu, um cara normal, bonito talvez, inseguro, cheio de manias, mas com boas intenções. Um amor imperfeito.

E mesmo não sendo perfeito, escolhemos ser pai e mãe do Cadu, pois pais e mães foram feitos para errar, para serem ultrapassados, para ficarem com vergonha deles na entrada da escola.

Não contentes, queremos mudar a ordem natural das coisas, fazer tudo correto, ter a resposta certa, atender no prazo, superar as expectativas, correr contra o relógio, ser o melhor pai e mãe do mundo e ainda continuar os mesmos namorados de antigamente. Mas nada será como antes.

Quando já não somos só dois a vida de amantes precisa ser reaprendida: os dias, as noites, as madrugadas, o trabalho, as folgas, as férias. Tem sempre um ponto de interrogação na frase. Às vezes umas três exclamações.

Deixamos de viver só pelo amor romântico. O pequeno sonho de nove anos que uniu nossos sorrisos e lágrimas, também tornou nosso amor mais paciente, maduro, sereno, sincero, responsável e brincalhão.

Nosso amor imperfeito evoluiu. Passamos a viver alegrias, saudades, surpresas, questionamentos, reflexões e transformações, agora aceitando nossos defeitos e limites.

Somos e sempre seremos nós mesmos.
Apaixonadamente imperfeitos.

ARNO DUARTE, além de papai adotivo, é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano e mobilizador do movimento Geração Mais Amor. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.

Ser pai em cinco sentidos

 
Por Arno Duarte

Pais não foram feitos para ficar tanto tempo longe dos filhos. Um dia, dois dias no máximo, é aceitável. Achamos que a tecnologia ajuda a encurtar as distâncias, mas uma mensagem de áudio no whatsapp ou alguns minutos de conversa no facetime nunca vão substituir o gostinho de um abraço. 

Esperei quase nove anos para conhecer meu filho, e agora, parece que minhas necessidades básicas mudaram, e meus sentidos estão mais conectados com coisas que antes eu nem sabia que existiam.

Preciso sentir o cheirinho dele de manhã antes de ir pra escola. Preciso ouvir suas histórias mágicas pra viajar junto com ele para mundos de fantasia. Preciso vê-lo faceiro aprendendo a andar de bicicleta e descobrindo a delícia que é o vento batendo em seu rosto. Preciso afofar seus bracinhos pra me dar conta do quanto ele é frágil e sensível. Preciso olhar em seus olhos pra enxergar o brilho do futuro e as infinitas possibilidades que borbulham em sua alma. 

Também preciso beijá-lo bastante, mesmo sabendo que nem todos os beijos do mundo dão conta de dizer o quanto eu amo esse pequeno ser que transformou todos os meus dias em uma contagem regressiva pra abraça-lo mais uma vez.

ARNO DUARTE, além de papai adotivo, é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano e mobilizador do movimento Geração Mais Amor. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.

A escolha de mudar não mudando

borboletaPor Arno Duarte

Aos olhos de um homem, ter um filho pode implicar em mudanças radicais na vida, perda de liberdade, rotina, prioridades diferentes a partir de então. Por muito tempo tive o pensamento de que quando um filho chegasse, as coisas não seriam mais as mesmas, com um certo tom pejorativo até, indicando que eu teria que aturar mudanças indesejadas.

Quando este dia chegou, respirei fundo e olhei para todas as possibilidades que se abriam. A vida não seria mais a mesma sim, mas poderia ser como eu gostaria de vivê-la.

Ser pai é uma escolha e, como qualquer escolha que se preze, representa um salto para o novo, navegar por mares desconhecidos, espaços por vezes inseguros e de transformação.

E assim como a borboleta, precisei mudar, não mudando.

Sou o mesmo cara que tinha medo de perder a liberdade, da rotina, de ter prioridades diferentes, porém, como responsável pela minha escolha, assumo o papel de pai, garantindo minha liberdade, driblando a rotina e priorizando o que é importante para a minha vida.

E minha vida agora não é só minha, tenho mais vida na minha vida, e todo esse movimento me dá força para manter minha essência em um modelo mais maduro de mim mesmo, respeitando meu passado e dando boas vindas ao futuro que minha pequena escolha de 9 anos me inspira construir.

Agora é só curtir o caminho de pai, amigo, herói, parceiro, certo de que novas e muitas transformações ainda virão.

ARNO DUARTE, além de papai adotivo, é coach e consultor organizacional na Favoo Desenvolvimento Humano e mobilizador do movimento Geração Mais Amor. Adora o que faz, mas não deixa de se aventurar em peças de teatro, videoclipes, música, fotografia, meditação ou em qualquer coisa que estimule expressão e criatividade. Acredita que o sentido da vida é amar e se divide entre projetos pessoais e profissionais buscando a felicidade autêntica nas 30 horas do seu dia.